Jannis Kounellis

JANNIS KOUNELLIS
Sem título | tríptico | set com 3 litografias em papel rag e colagem com jornais dobrados | 50 x 40 cm cada | Edição 60 | 1998

Sobre o artista

Grécia, 1936

Jannis Kounellis nasceu na Grécia, em 1936, e vinte anos depois foi morar em Roma, onde freqüentou a Academia de Belas Artes. Desde então, vive e trabalha na capital italiana.
Kounellis é um dos mais importantes artistas oriundos da arte povera, movimento que nasceu nos anos 1960 na Itália e estendeu sua influência para diversos países. Seu encontro com os artistas Alberto Burri e Lucio Fontana foi decisivo para constituir uma vocação artística revolucionária. A estes italianos, juntam-se suas predileções por artistas polifacéticos como Wols, Fautrier e Pollock. Não foi casual que sua primeira exposição, em 1960, em Roma, apresentava-se com o título “L′alfabeto di Kounellis”. Esta nova linguagem artística surgia da relação de composição entre matérias inertes e matérias vivas, para favorecer a tomada de consciência e uma atitude crítica perante a criação e a sociedade. Por isso, Jannis Kounellis optou por substituir a tradicional folha de papel ou a tela por uma placa de ferro onde aplicava seu “abecedário”, composto, entre outros elementos, de fogo, terra, carvão, lã, plantas e animais vivos e mortos.
Com esta simbiose entre o “natural” e o “artificial”, o artista abria uma nova etapa não somente em sua trajetória, mas também na arte contemporânea. Desde suas primeiras obras, telas compostas de letras e cifras negras sobre fundo branco, o artista outorga a certos signos um valor metafórico e uma função de símbolo. Ainda que nunca tenha restringido sua pintura à dimensão bidimensional, começou a realizar obras tridimensionais que buscavam integrar formas artísticas tão diversas como a pintura, a escultura, a música, o teatro e a poesia. É de sua natureza a combinação de signos e materiais no processo formal e conceitual. A obra de Kounellis é como um teatro de sensações que tomam nossos olhos como um arsenal do passado, como o umbral decisivo feito da utopia que é a arte. Ela é a sombra da arquitetura e da arqueologia, com a música do passado, onde Kounellis nos convida a aprender a olhar, a sentir, a pensar, sem palavras, e em decisivo silêncio.

Paulo Reis 

Diretor e co-editor da Dardo Magazine