Poligrafa 50 anos | 24 de nov 10 de jan | 2015

Uma das mais importantes editoras de gravura do mundo, a espanhola Polígrafa Obra Gráfica, completa 50 anos. Para celebrar a data, exposições de sua coleção estão acontecendo em diversas galerias pelo mundo, como em Londres, Carolina do Norte,  Santa Fé, Novo México, Boston, Santiago (Chile) e Taiwan. No Brasil, a Mul.ti.plo Espaço Arte – única galeria brasileira que possui uma parceria com a editora espanhola, e juntas recém-lançaram o livro-arte de Waltercio Caldas, Universo – abriga, a partir de 24 de novembro, a mostra Polígrafa – 50 anos, com obras, algumas raras, que fazem parte do acervo da editora.

A última gravura de Francis Bacon ainda à venda e a primeira gravura feira por Antoni Tàpies são algumas destas peças únicas. São cerca de 30 obras, León Ferrari, Cruz-Diez, Christo, Jaume Plensa, Huai-Qing Wang, Scott Treleaven, Jorge Macchi, Guilhermo Kuitca, Marco Maggi, além dos brasileiros Daniel Senise e Waltercio Caldas, Nelson Leirner, entre outros.

A exposição, além de marcar o cinquentenário da Polígrafa, reafirma o compromisso da Mul.ti.plo com seu conceito: o de ser um espaço que não apenas valoriza, mas que conseguiu reinserir a gravura como obra em si no mercado de arte brasileiro. Há quatro anos, quando a galeria foi inaugurada no Leblon, gravura e múltiplos eram uma questão lateral no mercado de arte. “Vários artistas travavam uma luta derrotada no mercado das grandes cifras”, explica Maneco Muller, consultor da galeria de Stella Silva Ramos, Luiz Carlos Nabuco e Maria Cristina Magalhães Pinto. “Múltiplos não eram considerados como obras maiores, eles (os artistas) foram os grandes parceiros nessa mudança de paradigma. Foi preciso demolir a ideia de que o procedimento do trabalho implicava em uma ordem hierárquica. O que vemos hoje é uma mudança de status. Não se compra uma gravura quando se quer iniciar uma coleção, por conta do preço mais baixo. Compra-se uma gravura por ela ser uma boa obra de arte.”

O sucesso da empreitada se deve a várias ações e investimentos ao longo destes quatro anos. Através da Mul.ti.plo o país recebeu, pela primeira vez, uma gravura de Richard Serra. A galeria promoveu, este ano, em parceria com a EAV, um prêmio nacional de incentivo à gravura, que deu ao jovem artista baiano João Oliveira uma bolsa de arte na Scuola Internazionale di Grafica, em Veneza. Também em parceria com o Parque Lage, nas duas últimas edições da ArtRio, a Mul.ti.plo imprimiu gravuras inéditas de Luiz Zerbini, Barrão, Angelo Venosa, Marcos Chaves, Celia Euvaldo, Cabelo, Carlos Vergara, Daniel Senise, Iole de Freitas e Victor Arruda – que estiveram presentes no stand assinando as obras. A galeria tem em seu acervo importantes nomes como Antonio Dias, Angelo Venosa, Carlos Vergara, Waltercio Caldas, Cildo Meireles, Roberto Magalhães, Nuno Ramos, Elisabeth Jobim, Eduardo Sued, Angelo de Aquino, Daniel Feingold e artistas internacionais como Pedro Cabrita Reis, Christo, Man Ray, Riera i Aragó, Tàpies, entre outros. A parceria com a editora espanhola é mais um passo deste caminho.

A mostra Polígra 50 anos consagra a trajetória da Mul.ti.plo em defesa da gravura e reafirma a importância desta forma de arte no atual mercado brasileiro.